Existe uma lenda, ou crença, ou hábito de dizerem por aí que as mulheres são complicadas. Mas na verdade, eu acho mesmo que são os homens que não entendem as mulheres, porque enxergam e não vêem quem são elas, o que sentem, o que desejam.
Toda vez que uma mulher diz pra um homem ir embora, ela está implorando pra que ele fique. Quando diz que está bem, mas fala pouco e abaixa os olhos, é porque ela queria contar tudo o que está acontecendo, as pequenas tragédias do seu dia e até chorar um pouquinho. Mulher não se cansa de uma boa companhia, pelo contrário deseja ficar perto dele o tempo todo. O homem não entende que a mulher não quer ser apenas amante, precisa ser amiga, companheira. Mulher não quer casar pra assinar um papel, quer apenas celebrar o amor que pra ela é verdadeiro. Mulher que é mulher não gosta de ser enganada, não vive só de elogios(mesmo que precise deles), mulher prefere uma verdade doída e sentida. Mulher quer do homem segurança, insistência e atenção. Mulher fala demais e na maioria das vezes gosta mesmo de ser o centro das atenções, não pra ser superior, mas pra se sentir amada. Mulher gosta de surpresas, e isso não quer dizer que precisa ganhar presentes caros, mas uma visita inesperada, um telefonema no meio da noite ou pela manhã. Mulher é a coisa mais delicada e forte que existe no mundo.
Mulher é um exagero sem igual. É tudo demais e nunca de menos. Mulher pode ser branca, negra, amarela, mas qualquer que seja seu país, religião ou lugar, é capaz de dar vida. Mulher precisa ser valorizada pelas inúmeras coisas que faz, principalmente pela família que cria. Mulheres não são complicadas como dizem por aí...são apenas cheias demais. Mulher gosta de falar, mas ama ouvir. Mulher não tem preguiça de crescer e evoluir. Mulher pode ter medo de escuro, mas não tem medo de viver a vida.Mulher é a soma de muitas coisas, por isso precisam ser mais do que vistas, mas enxergadas...
terça-feira, 3 de novembro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Sonho de menina
Em passos largados e obtusos corria desesperadamente, parecia atrasada. Os cabelos ondulados carregavam uma flor vermelha. Nas mãos não tinha nada e nos olhos levava todo o brilho que ele já havia visto. Ela parou na frente dele, o rosto avermelhado daquela corrida inesperada.
-Você viu se tinha alguém aqui?
-Aqui aonde moça?
-Aqui.
-Acho que não, mas estou de passagem, cheguei agora e já vou indo.
-Você tem certeza?
-Num sei, acho que tenho.
-Estou procurando uma mulher de meia idade, cabelos caramelos, olhos tristes.
-Preciso ir, boa sorte na sua procura.
De repente ela segurou forte nos braços dele, como se pedisse pra ele não ir embora, esperava ele dizer que viu a tal mulher. Ele olhou nos olhos dela, perderam o brilho.
-Moça não posso te ajudar.
-É minha mãe, preciso encontrá-la. Sempre me atraso, ela deve ter ido embora.
-Vai até a casa dela, ela deve estar lá.
-Não sei onde fica. Sinto tanto a falta dela. Eu fui embora mas sempre quis voltar.
-Ela deve estar atrasada só isso.
-Acho que ela desistiu de mim, será que não sente saudade?
-Deve sentir...
-Eu quis tanto voltar, mas o tempo passou e eu nunca criei coragem.
-Mas agora você está aqui, procura por ela.
-Ela sempre vinha nessa praça de tarde, gostava de sentar no banco, ficar embaixo do sol, vinha sempre no mesmo horário.
-Ela vai chegar, moça. Pra onde você foi?
-Fui atrás dos meus sonhos, tinha que virar gente. Conheci lugares incríveis, tive grandes amores, cantei diversas canções.
-Mas por que deixou sua mãe?
-Porque o sonho dela era eu, e ela jamais me deixaria ser alguma coisa, pra ela bastava que eu fosse o sonho dela, não precisava ser mais.
-E por que voltou?
-Quero ser o sonho dela de novo, não preciso ser mais.
-Precisa ser você, moça.
-Eu sou. O que sou é ser o sonho dela. Sou tanto dela que ela acaba sendo tudo meu. Precisei de tempo pra entender as coisas da vida.
-Kéka- Gritou uma voz do outro lado da rua.
A menina de cabelos ondulados, saiu em disparada. Abraçou a mulher de meia-idade e olhar triste. Tinham o mesmo sorriso. Ficaram ali por minutos incontáveis. Choravam de alegria.
-Quero ser seu sonho de novo mãe.
A mãe explicou pra moça que seria ela sempre o seu sonho, não precisava ficar presa. Devia ela ser sonho livre...
-Você viu se tinha alguém aqui?
-Aqui aonde moça?
-Aqui.
-Acho que não, mas estou de passagem, cheguei agora e já vou indo.
-Você tem certeza?
-Num sei, acho que tenho.
-Estou procurando uma mulher de meia idade, cabelos caramelos, olhos tristes.
-Preciso ir, boa sorte na sua procura.
De repente ela segurou forte nos braços dele, como se pedisse pra ele não ir embora, esperava ele dizer que viu a tal mulher. Ele olhou nos olhos dela, perderam o brilho.
-Moça não posso te ajudar.
-É minha mãe, preciso encontrá-la. Sempre me atraso, ela deve ter ido embora.
-Vai até a casa dela, ela deve estar lá.
-Não sei onde fica. Sinto tanto a falta dela. Eu fui embora mas sempre quis voltar.
-Ela deve estar atrasada só isso.
-Acho que ela desistiu de mim, será que não sente saudade?
-Deve sentir...
-Eu quis tanto voltar, mas o tempo passou e eu nunca criei coragem.
-Mas agora você está aqui, procura por ela.
-Ela sempre vinha nessa praça de tarde, gostava de sentar no banco, ficar embaixo do sol, vinha sempre no mesmo horário.
-Ela vai chegar, moça. Pra onde você foi?
-Fui atrás dos meus sonhos, tinha que virar gente. Conheci lugares incríveis, tive grandes amores, cantei diversas canções.
-Mas por que deixou sua mãe?
-Porque o sonho dela era eu, e ela jamais me deixaria ser alguma coisa, pra ela bastava que eu fosse o sonho dela, não precisava ser mais.
-E por que voltou?
-Quero ser o sonho dela de novo, não preciso ser mais.
-Precisa ser você, moça.
-Eu sou. O que sou é ser o sonho dela. Sou tanto dela que ela acaba sendo tudo meu. Precisei de tempo pra entender as coisas da vida.
-Kéka- Gritou uma voz do outro lado da rua.
A menina de cabelos ondulados, saiu em disparada. Abraçou a mulher de meia-idade e olhar triste. Tinham o mesmo sorriso. Ficaram ali por minutos incontáveis. Choravam de alegria.
-Quero ser seu sonho de novo mãe.
A mãe explicou pra moça que seria ela sempre o seu sonho, não precisava ficar presa. Devia ela ser sonho livre...
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
O que faz você feliz?

o que faz você feliz?
ouvi essa pergunta em alguns lugares. de algumas bocas. e pensei o que poderia resumir felicidade.
ser bonita. a marca do carro. poder. fama. dinheiro. status. uma casa com varanda. alguns amigos. outros copos. uma festa.
não era bem isso. e fosse isso. pra alguns. não pra mim. por vezes persegui sonhos. as coisas parecem certas antes de acontecerem. todos os desejos. realizados ou não. são conforto. a primeira vez que sai de casa. e dormi com a luz acesa de medo. e outras milhares de vezes que quis voltar. as risadas que dei com pessoas que (des)conhecia. as poucas reuniões de família que todo mundo fala ao mesmo tempo. e quando andava a cavalo. e me perdia em devaneios. ou quando passei noites acordada jogando video-game com meu irmão. ou quando apenas ficava ao lado de meu amor. falando besteiras. ou me sentindo segura nos braços dele. as tardes de domingo que passava com minha avó. e junto com meus primos fazia o maior barulho. depois comia bolinho de chuva. e ainda soltava pipa com meu vô. as cervejadas com a turma de escola. as viagens de verão. os churros que meu pai me levava pra comer. a gargalhada exagerada de minha mãe. os livros e as músicas que me levavam a outro mundo.
felicidade é feita de momentos. de pessoas. de sentidos. não de coisas. não de marcas. não de dinheiro. não de falsidades. não importa se tudo não sai do jeito que era pra ser no inicio. não importa se as coisas mudam. não importa o que dissemos. o que importa mesmo é o que vivemos de verdade...
imagem devianart by_CrazyKcee
domingo, 11 de outubro de 2009
passava horas tentando desenhar. peixes. borboletas. pessoas. e pintava cores. azul.amarelo.verde. lilás. gostava de vermelho. às vezes passava horas escrevendo palavras. qualquer uma que fosse. pudesse fazia rima. gostava de combinar as coisas.
a menina. já grande de idade. e pequena de tamanho.
tinha tanta coisa dentro de si. encoberta. quieta. sozinha. tinha tantas coisas. mas às vezes não sabia o que falar...
a menina. já grande de idade. e pequena de tamanho.
tinha tanta coisa dentro de si. encoberta. quieta. sozinha. tinha tantas coisas. mas às vezes não sabia o que falar...
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
a sala colorida

Não sabia por que permanecia ali sentada no sofá vermelho da sua sala colorida. Já passavam das duas da manhã. E a menina de olhos pintados e sandália azul havia passado o dia esperando. Tinha certeza que ele faria uma surpresa e apareceria de repente com o cabelo despenteado e seu all-star preto de cano alto. Não estava triste. Não estava feliz. Estava apenas sozinha na sala colorida.
Olhou as fotos ao lado dos lírios. Tinha uma dos dois. Ela estava com sua fita azul no cabelo e ele com seus óculos quadrados e grandes. Tinham passado aquele dia fazendo descobertas. Ali mesmo na sala colorida. Inventavam histórias. Se vestiam e “desvestiam”. Pintavam. Sorriam. Faziam silêncio. Só os dois.
Ela sorriu baixinho. Tirou as sandálias. E sentiu o chão gelado afundar na alma. Ligou a torneira e lavou os olhos. Deixou a água caindo em suas mãos. Parecia ter se esquecido ali. Não sabia o que faria. Talvez devesse escrever uma carta. Enxugou as mãos. Foi até o quarto de paredes verdes e tapetes vermelhos. Pegou papel e caneta. Sentou-se.
Amormeu,
sua foto ainda está ao lado dos lírios. a sala continua colorida. e o chão gelado. as coisas parecem as mesmas. e você não está aqui. às vezes fico esperando. talvez vocÊ apareça de surpresa. como sou boba. sei bem. é que você faz parte de mim. dos meus planos. da minha família. do meu dia. e da noite. não falo pelo excesso. falo pelo desejo.
Com todo amor do mundo.
foi tudo o que escreveu. esperou o dia amanhecer. e no dia seguinte foi visitá-lo. levou lírios. e a carta. levou a fita azul de cabelo. e os óculos grandes e quadrados. sentou-se. o túmulo era gelado. no cemitério fazia sol. e ela sorriu. depois chorou de saudade.
Imagem devianart by iTaylie
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
esmalte vermelho
As mãos da menina estavam geladas mesmo naquela noite de calor. Ela se sentia quente ardendo de frio. Era complicada. Era diferente. Era ela a menina de esmalte vermelho.
O cabelo se desajeitava na varanda. O vento era leve. Ela não entendia. Mas gosta de ficar ali desajeitada. Confortada.
Acendia um cigarro. Depois outro. Enquanto o tempo passava. E ela nada fazia. esperava coisa qualquer. Ouvia jazz e música francesa. Gostava de cantar baixinho. Dançar escondida. Pular na cama. Parecia criança. Embora fosse grande.
Precisava falar com alguém. Mas já era noite ninguém havia de estar acordado. Não podia fazer visitas aquela hora. Sua mãe lhe disse que era falta de educação ir a casa dos outros tão tarde. Por isso ela não foi. Pegou o telefone e ligou. Acordaria alguém. Ligar era mais educado. A pessoa não iria precisar fazer sala. Nem se vestir. Nem fazer café. Só precisava falar com ela.
- Alô...
- Oi, sou eu...
- Você sabe que horas são?
- Sei que passam das três, mas você disse que eu poderia ligar quando quisesse...
- É eu disse...
- Não tenho muita coisa pra contar.
- Também não.
- Mas não quero desligar.
- Sinto sua falta, preta.
- É também sinto a sua.
- ...
- Tirei algumas fotos ontem. Lembrei de você.
- É mesmo por quê?
- Tirei foto de músicos. E você gosta tanto de música né?!
- É mesmo...
- É estranho ouvir sua voz de longe, mas estou bem!
- Sinto sua falta, mas tudo tem seu tempo, minha preta.
- Eu te disse que iria esperar. Estou conhecendo tantas coisas novas, você deveria estar por perto. Tenho medo de dividir isso com outras pessoas...
- Sei que você vai esperar. Estou guardando tudo pra você. As histórias, os lugares, meu amor...
- Não tenho razão, sei bem. Gosto dos impulsos largados e cometidos.
- Você nunca pensa muito nas coisas, eu sou sua balança. E prometo estar logo por perto...
- Acho melhor desligarmos agora...
- Te amo preta.
O telefone ficou mudo antes que ela pudesse responder. Diria a ele que o ama também. Que esperaria. Que retomaria a razão e ficaria. Que tantas coisas mais.fechou a porta da varanda. E os olhos. Não queria mais ver o tempo passar...
O cabelo se desajeitava na varanda. O vento era leve. Ela não entendia. Mas gosta de ficar ali desajeitada. Confortada.
Acendia um cigarro. Depois outro. Enquanto o tempo passava. E ela nada fazia. esperava coisa qualquer. Ouvia jazz e música francesa. Gostava de cantar baixinho. Dançar escondida. Pular na cama. Parecia criança. Embora fosse grande.
Precisava falar com alguém. Mas já era noite ninguém havia de estar acordado. Não podia fazer visitas aquela hora. Sua mãe lhe disse que era falta de educação ir a casa dos outros tão tarde. Por isso ela não foi. Pegou o telefone e ligou. Acordaria alguém. Ligar era mais educado. A pessoa não iria precisar fazer sala. Nem se vestir. Nem fazer café. Só precisava falar com ela.
- Alô...
- Oi, sou eu...
- Você sabe que horas são?
- Sei que passam das três, mas você disse que eu poderia ligar quando quisesse...
- É eu disse...
- Não tenho muita coisa pra contar.
- Também não.
- Mas não quero desligar.
- Sinto sua falta, preta.
- É também sinto a sua.
- ...
- Tirei algumas fotos ontem. Lembrei de você.
- É mesmo por quê?
- Tirei foto de músicos. E você gosta tanto de música né?!
- É mesmo...
- É estranho ouvir sua voz de longe, mas estou bem!
- Sinto sua falta, mas tudo tem seu tempo, minha preta.
- Eu te disse que iria esperar. Estou conhecendo tantas coisas novas, você deveria estar por perto. Tenho medo de dividir isso com outras pessoas...
- Sei que você vai esperar. Estou guardando tudo pra você. As histórias, os lugares, meu amor...
- Não tenho razão, sei bem. Gosto dos impulsos largados e cometidos.
- Você nunca pensa muito nas coisas, eu sou sua balança. E prometo estar logo por perto...
- Acho melhor desligarmos agora...
- Te amo preta.
O telefone ficou mudo antes que ela pudesse responder. Diria a ele que o ama também. Que esperaria. Que retomaria a razão e ficaria. Que tantas coisas mais.fechou a porta da varanda. E os olhos. Não queria mais ver o tempo passar...
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Mais muito mais.
conheci uma família que me fez sentir pena. eram bonitos. de classe social média alta. não passavam fome. nem dormiam sobre ruas geladas. eram bonitos. pai. mãe. e filha. os pais deviam ter seus quarenta e poucos anos. a filha vinte e poucos. agiam da mesma forma. e por isso senti pena. o pai se vestia como um garotão. e só falava em suas novas aquisições. elogiava o belo corpo que a mulher conseguiu em uma lipo. nas loucas dietas sem comida. e nas longas horas de academia depois do trabalho. a mãe só falava no corpo que tinha. no preço de sua nova roupa. a filha os copiava. a superficialidade era passada dos pais para a filha que se desfazia de quem não tinha sobrenome. o pai disse que se a mãe engordasse. ele largaria dela. a filha por sentir medo. emagrecia cada vez mais. senti pena. não pareciam reais. nem felizes. fugiam do tempo. camuflavam as marcas do conhecimento. exoneravam a verdade. se vendiam todos os dias por padrão.
não acho que amor sobreviva de baixas calorias. tampouco que alguém precise falar em valores não em palavras para ser "bacana" e legal. a vida é muito mais. prefiro falar de lugares. do que de grifes. experimentar novos sabores do que ficar em jejum. ter laços mais fortes do que fracos. preciso de mais proximidade do que de menos. prefiro passar o dia rindo do que preocupada.
será que sou assim tão inocente? ou indecente? ou fora da realidade?
não acho que amor sobreviva de baixas calorias. tampouco que alguém precise falar em valores não em palavras para ser "bacana" e legal. a vida é muito mais. prefiro falar de lugares. do que de grifes. experimentar novos sabores do que ficar em jejum. ter laços mais fortes do que fracos. preciso de mais proximidade do que de menos. prefiro passar o dia rindo do que preocupada.
será que sou assim tão inocente? ou indecente? ou fora da realidade?
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